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Mais de 5 mil trabalhadores metalúrgicos, participaram no dia 09/02, em São Carlos, do ato de mobilização em defesa do emprego e da produção nacional.

Realizado em parceria com a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT; da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical e dos 14 sindicatos filiados à Federação dos Metalúrgicos da CUT, o evento teve como objetivo reivindicar que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) feita pelo governo federal à indústria do País seja acompanha de contrapartidas como índice mínimo de conteúdo nacional.
A cidade de São Carlos foi escolhida para dar início a esta campanha, que seguirá por todo Brasil, por ser um importante polo de fornecedores de peças para a linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar etc.). Além disso, registra 20% de demissões na base, apesar de o setor ter sido beneficiado por medidas do governo que reduziram impostos e elevaram as vendas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos, Erick Silva, os trabalhadores na indústria automotiva se mobilizaram nessa questão de importação de peças e conseguiram uma vitória. “Os metalúrgicos defendem que o governo passe a exigir conteúdo nacional naquilo que é produzido no país. A redução do IPI aumentou as vendas, mas não elevou a produção interna no setor de linha branca e nós lutaremos para reverter isso, queremos garantir o emprego e estimular a produção de conteúdo nacional.”, disse.
Erick disse ainda que um ato desta proporção e com esse teor de reivindicação é inédito na história de São Carlos. “Essa é uma luta dos metalúrgicos e de todos os trabalhadores são-carlenses, pelo emprego digno”, destacou.
Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, enfatizou que o que está ocorrendo em São Carlos, com a linha branca, não é um caso isolado no País. “Os trabalhadores dos setores como o de calçados, têxtil, eletroeletrônicos, entre outros, também estão sofrendo com as importações. O que nós temos a fazer é cobrar para que os empresários também façam a sua parte, tendo um plano agressivo para melhorar seus produtos para baixar preços e assegurar competitividade dos que é produzido aqui e assim concorrer de forma igual com os importados, garantindo empregos de qualidade”, afirmou Sérgio Nobre.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, reafirmou a necessidade do empenho do empresariado. “É preciso um grande empenho do empresariado no sentido de melhorar a competitividade dos produtos da chamada linha branca (eletrodomésticos) como é o caso das empresas em São Carlos, o que sem duvida vai fortalecer a qualidade dos empregos e abrir novos postos de trabalho”, disse Isaac.
Segundo o prefeito municipal de São Carlos, Oswaldo Barba, a cidade emprega 12 mil metalúrgicos em 350 empresas. A indústria local e nacional precisa dessa proteção para a preservação do emprego e manutenção de milhares de famílias. “Geramos, nos últimos três anos, 6 mil empregos em São Carlos e, sem dúvida, a indústria protegida e fortalecida, contribui na manutenção desse importante índice”, completou.
O vereador Ronaldo Lopes, que apresentou na última terça-feira (07), uma moção de apoio ao ato de mobilização, ressaltou que essa mobilização contribui para toda sociedade são-carlense, bem como para o comércio que será beneficiado com o resultado, além da indústria local, que faz parte da cadeia produtiva da cidade. “Espero que o Governo Federal atenda o interesse da classe trabalhadora. Nós trabalhadores estamos fazendo a nossa parte”, disse.
Além dos representantes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT; da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical e dos 14 sindicatos filiados à Federação dos Metalúrgicos da CUT, o evento teve também a participação de Adi dos Santos Lima, presidente da CUT Estadual.
Reunião com Ministros
O deputado federal Newton Lima (PT-SP) também participou do evento e informou aos trabalhadores que apresentou nesta semana ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Raupp, os cálculos de pesquisa do Dieese que demonstram que, nos últimos dez anos, a importação de peças cresceu 658,6%, enquanto que as vendas de eletrodomésticos aumentaram 63,1%.
“Ao reduzir o IPI do setor automotivo, o Governo determinou que 60% da produção dos automóveis ocorresse no mercado nacional. Infelizmente essa medida não atingiu a linha branca, que foi invadida por produtos chineses. Esta manifestação não só previne como aponta para a direção que é preciso tomar nosso governo para que não haja mais demissões”, alertou o deputado.
O ministro Marco Raupp receberá em breve uma comissão de metalúrgicos do Estado de São Paulo para discutir uma solução. Além disso, Newton Lima está construindo, juntamente com os sindicatos, agendas com o Ministério do Desenvolvimento e Ministério da Fazenda.
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