Petroleiros denunciam: Petrobras ignora que 94% do petróleo refinado é nacional

A Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) publicou ontem (23/03), que apenas cerca de 6% do petróleo refinado no Brasil é importado, enquanto os outros 94% do refino é feito com óleo produzido no próprio país.


De acordo com os petroleiros, a presença do petróleo nacional poderia chegar a até 100%, atendendo às necessidades de derivados do país. Isso só não ocorre porque algumas refinarias utilizam o óleo importado, não por insuficiência da produção, mas como opção para otimizar processo industrial específico. Nesse sentido, os números contradizem frontalmente a atual política de preços da Petrobras.


Desde 2016, com a introdução do Preço de Paridade de Importação (PPI), que permite que a Petrobras reajuste os preços dos combustíveis de acordo com o valor internacional do barril de petróleo, cotado em dólar, a estatal passou a fixar os preços dos combustíveis considerando como se todo petróleo refinado no país fosse importado. Daí a suposta necessidade de manter os preços praticados no Brasil atrelado à variação do petróleo no mercado internacional.


"Cai por terra a falsa tese da dependência do Brasil pelo petróleo importado”, destaca o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar. Ele lembrando também que a Arábia Saudita é o principal exportador de óleo para o país.


Segundo o dirigente da FUP, sem o PPI, a Petrobras praticaria preços justos, e continuaria tendo alta lucratividade, devido à elevada produtividade e o baixo custo operacional do pré-sal, que não chega a US$ 28 por barril”, destaca ele. Porém, “isso reduziria lucro de importadores e dividendos de acionistas, que atingiram o recorde absurdo de R$ 101,4 bilhões em 2021”.


O fato é que tanto Bolsonaro quanto Michel Temer (MDB-SP) são responsáveis pelo litro da gasolina estar custando em média no país, R$ 7. Em algumas cidades, o litro da gasolina chega a custar R$ 8,00, pela primeira vez.


RELEMBRANDO...

O trabalhador e a trabalhadora devem ficar atentos, vale lembrar que foi no governo Temer, em outubro de 2016, cinco meses após o golpe contra Dilma, que foi instituída a política de preços internacionais e iniciado o desmonte da Petrobras, com reflexos negativos para o consumidor até hoje. O Governo atual nada fez para acabar com essa política, muito pelo contrário, faz esforços para privatizar a estatal, o que gerará ainda mais prejuízos aos brasileiros.


CUT/BRASIL


Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobras