
Dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté participaram, na sexta-feira (22), do evento “Híbrido Etanol – Novos Desafios”, realizado no CPP (Centro do Professorado Paulista). O encontro reuniu representantes sindicais, especialistas, trabalhadores e lideranças ligadas ao setor automotivo e industrial para discutir os rumos da transição energética no Brasil, os desafios da indústria nacional e a defesa do desenvolvimento tecnológico com geração de empregos qualificados.
A atividade foi organizada pela FEM-CUT/SP, e teve como foco central o fortalecimento do modelo híbrido movido a etanol como alternativa estratégica para a descarbonização da mobilidade brasileira, aproveitando a experiência histórica do país na produção e utilização de biocombustíveis. Entre os principais temas debatidos estiveram a ampliação e reorganização da cadeia do híbrido/etanol, a discussão sobre o Fator de Uso de Combustíveis Renováveis (FUVR), além da continuidade do debate em estados como Espírito Santo, Pernambuco e Santa Catarina.
Outro eixo importante do encontro foi a defesa da indústria nacional diante do avanço das importações de veículos completos e de modelos CKD, MKD e SKD, sistemas de montagem com peças vindas do exterior que, segundo os participantes, reduzem o desenvolvimento tecnológico local e enfraquecem a cadeia produtiva brasileira. O debate também abordou a necessidade de construção de uma política tarifária equilibrada, em contraponto ao uso indiscriminado do mecanismo de “ex-tarifário”, que permite a redução de impostos para produtos importados sem similar nacional.
Durante as discussões, os representantes defenderam que o Brasil precisa consolidar uma política industrial capaz de fortalecer a produção local, estimular investimentos em pesquisa e desenvolvimento e garantir maior protagonismo nacional na transição energética global. A avaliação é de que o país possui vantagens competitivas importantes, especialmente no setor de biocombustíveis, e deve utilizá-las como ferramenta estratégica para geração de empregos, inovação e soberania econômica.
Também esteve em pauta a necessidade urgente de formação e qualificação profissional dos trabalhadores diante das novas tecnologias automotivas. A evolução dos motores híbridos, sistemas eletrônicos e tecnologias ligadas à eficiência energética exige mão de obra cada vez mais especializada, tornando a capacitação técnica um fator essencial para garantir inclusão produtiva e evitar impactos negativos no emprego industrial.
Para os dirigentes do Sindicato, o debate reforça a importância da participação ativa dos trabalhadores na formulação de políticas públicas voltadas à reindustrialização do país. A entidade defende que a transição energética deve acontecer de forma socialmente justa, garantindo desenvolvimento econômico, preservação dos empregos e fortalecimento da cadeia produtiva nacional.
O encontro em São Carlos consolida uma agenda voltada à defesa da indústria brasileira, da inovação tecnológica e da construção de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável, capaz de aliar crescimento econômico, soberania industrial e geração de oportunidades para os trabalhadores.
Fotos: @bosque.produtora